quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Crítica - Absorvendo o Tabu


Absorvendo o Tabu

Ano: 2018.

Direção: Rayka Zentabchi.

Roteiro: Rayka Zentabchi.

Sinopse: Na Índia rural, onde o estigma da menstruação persiste, mulheres produzem absorventes de baixo custo em uma nova máquina e caminham para a independência financeira.

Resenha: 

No filme "Homem Absorvente" há um diálogo seguido por essa fala: "Sou uma mulher e apenas uma mulher pode falar sobre assuntos femininos." Nesta frase me identifico não como intruso, trata-me como observador caro leitor. Afinal, Esse documentário é uma obra de se admirar, pela sua potência temática e técnica...

Numa invenção criada por Arunachalam Muruganantham, ou Pad Man, ele permitiu a partir de uma linha de montagem de baixo custo, produzir absorventes 2 rúpias, o que custava na farmácia apenas 53 rúpias. No absurdo do preço estava o risco da vida daquelas mulheres, pois tradicionalmente uma mulher em seu período menstrual é impura. O pano usado para conter o sangue era reutilizado continuamente, logo no exílio e no risco elas perdiam 2 meses de suas vidas frente aos homens.

Nesse breve histórico, o filme representa algo mais íntimo, as mulheres não só consomem os absorventes, como os produzem e lucram com isso. Entendam, elas estão numa sociedade patriarcal, a educação, saúde ou trabalho não importam para os homens, elas só precisam servir aos seus homens. Sua visibilidade só é possível ao vencer essa barreira e neste coletivo, havia algo que as faziam felizes - algo que valesse a pena lutar.

Rayka Zentabchi assumi uma posição no filme que intensifica a presença dessas pessoas no filme. Ele é muito próximo das mulheres, mas também dos homens, e isso é definido por um trilha sonora pontual. Assistir "Period. End of Sentence" é ver a Índia, é perceber aquelas, é se incomodar com o mundo. Como documentário, dentro de seu filme ele cumpre com a realidade representada.

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