Ano: 2018.
Direção: Rayka Zentabchi.
Roteiro: Rayka Zentabchi.
Sinopse: Na Índia rural, onde o estigma da menstruação persiste, mulheres
produzem absorventes de baixo custo em uma nova máquina e caminham para a
independência financeira.
Resenha:
No filme
"Homem Absorvente" há um diálogo seguido por essa fala: "Sou uma
mulher e apenas uma mulher pode falar sobre assuntos femininos." Nesta
frase me identifico não como intruso, trata-me como observador caro leitor.
Afinal, Esse documentário é uma obra de se admirar, pela sua potência temática
e técnica...
Numa invenção
criada por Arunachalam Muruganantham, ou Pad Man, ele permitiu a partir de
uma linha de montagem de baixo custo, produzir absorventes 2 rúpias, o que
custava na farmácia apenas 53 rúpias. No absurdo do preço estava o risco da
vida daquelas mulheres, pois tradicionalmente uma mulher em seu período
menstrual é impura. O pano usado para conter o sangue era reutilizado
continuamente, logo no exílio e no risco elas perdiam 2 meses de suas vidas
frente aos homens.
Nesse breve
histórico, o filme representa algo mais íntimo, as mulheres não só consomem os
absorventes, como os produzem e lucram com isso. Entendam, elas estão numa
sociedade patriarcal, a educação, saúde ou trabalho não importam para os
homens, elas só precisam servir aos seus homens. Sua visibilidade só é possível ao vencer essa barreira e neste coletivo, havia algo que as faziam felizes - algo que valesse a pena lutar.
Rayka Zentabchi
assumi uma posição no filme que intensifica a presença dessas pessoas no filme.
Ele é muito próximo das mulheres, mas também dos homens, e isso é definido por
um trilha sonora pontual. Assistir "Period. End of Sentence" é ver a
Índia, é perceber aquelas, é se incomodar com o mundo. Como documentário, dentro
de seu filme ele cumpre com a realidade representada.

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