sábado, 9 de março de 2019

Crítica - Ela quer tudo

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Ela quer tudo

Ano: 1986
Diretor: Spike Lee
Roteiro: Spike Lee
Sinopse: Nola é uma jovem do Brooklyn. Bem-sucedida e de bem com a vida, possui três namorados: Jamie Overstreet, protetor, educado e sempre bem-intencionado, Greer Child vaidoso, rico e arrogante e Mars Blackmon um cômico e imaturo rapaz desempregado. Cabe a Nola escolher entre um deles.
Resenha:
Na periferia de Nova York, no bairro do Brooklyn vivia Nola Darling - Tracy Camilla Johns. Spike Lee, percorre esse lugar revelando um certo abandono, uma revolta interna e a vida das pessoas que vivem ali. Nola, está nesse bairro, mulher, negra, independente, enfrentando além dessa realidade, as das normas sociais.
“Na minha experiência conheci dois tipos de homens, os decentes, e os canalhas.” Jamie - Tommy Redmond Hicks , Mars - Spike Lee, Greer - John Canada Terrel, são para Nola seus amantes, homens que cientes um dos outros demonstravam pouca atenção ao fato de estarem acompanhado daquela mulher, o ciúmes e o desejo de posse os impedia de compreender aquela companhia.
Nola, de certa maneira, se submetia a essa relação, um momento fraqueza. Opal, Raye Dowel, e seu pai, Bill Lee, também a acompanhavam, eles estavam para ela como um porto. Por mais suscetível que seja sua relação com Opal, ainda assim, havia respeito. Ao contrário do respeito demonstrado por Jamie no filme.
Spike Lee em seu primeiro filme, conduz as imagens em companhia do seu pai Bill Lee que compôs a trilha sonora. Na cadência do Jazz, o filme é expressivo não apenas por sua beleza artística, mas por seu impacto político. Nola, se tornará um arrependimento para o diretor. Agora, já amadurecido com uma carreira premiada, faz uma releitura de sua obra com uma série na Netflix.

Nola Darling, faz de sua época uma personagem anacrônica. Ela está para o Brooklyn dos Estados Unidos da América na década de 80, como está para o nosso amanhã. Pois, suas dificuldades ainda persistem no coletivo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Crítica - Absorvendo o Tabu


Absorvendo o Tabu

Ano: 2018.

Direção: Rayka Zentabchi.

Roteiro: Rayka Zentabchi.

Sinopse: Na Índia rural, onde o estigma da menstruação persiste, mulheres produzem absorventes de baixo custo em uma nova máquina e caminham para a independência financeira.

Resenha: 

No filme "Homem Absorvente" há um diálogo seguido por essa fala: "Sou uma mulher e apenas uma mulher pode falar sobre assuntos femininos." Nesta frase me identifico não como intruso, trata-me como observador caro leitor. Afinal, Esse documentário é uma obra de se admirar, pela sua potência temática e técnica...

Numa invenção criada por Arunachalam Muruganantham, ou Pad Man, ele permitiu a partir de uma linha de montagem de baixo custo, produzir absorventes 2 rúpias, o que custava na farmácia apenas 53 rúpias. No absurdo do preço estava o risco da vida daquelas mulheres, pois tradicionalmente uma mulher em seu período menstrual é impura. O pano usado para conter o sangue era reutilizado continuamente, logo no exílio e no risco elas perdiam 2 meses de suas vidas frente aos homens.

Nesse breve histórico, o filme representa algo mais íntimo, as mulheres não só consomem os absorventes, como os produzem e lucram com isso. Entendam, elas estão numa sociedade patriarcal, a educação, saúde ou trabalho não importam para os homens, elas só precisam servir aos seus homens. Sua visibilidade só é possível ao vencer essa barreira e neste coletivo, havia algo que as faziam felizes - algo que valesse a pena lutar.

Rayka Zentabchi assumi uma posição no filme que intensifica a presença dessas pessoas no filme. Ele é muito próximo das mulheres, mas também dos homens, e isso é definido por um trilha sonora pontual. Assistir "Period. End of Sentence" é ver a Índia, é perceber aquelas, é se incomodar com o mundo. Como documentário, dentro de seu filme ele cumpre com a realidade representada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Crítica - Doce Virgínia


Doce Virgínia

Ano: 2017.

Direção: Jamie M. Dagg.

Roteiro: Paul China e Benjamin China.
Sinopse: O dono de um motel com um passado sinistro (Jon Bernthal), sem saber, faz amizade com um jovem assassino (Christopher Abbott) responsável por uma onda de violência que, de repente tomou conta de uma pequena cidade.

Resenha:
Numa cidade pacata do Alasca, madrugada, há uma ocorrência de triplo homicídio, 3 homens são assassinados por Elwood, Christopher Abbott. Ao hospedar-se no motel Doce Virgínia ele conhece Rossi, o administrador e ex competidor de rodeio - Jon Bernthal. É reconhecido por esta última qualidade pelo Assassino, logo, travam conversa sobre o fanatismo do pai pelo outrora heróico Rossi, nº 51.
A fotografia sombria transporta para os personagens a silhueta de suas fraquezas e emoções, o ódio, a vingança, até o amor são sentimentos velados em suas vidas. A consequência do crime são estas recéns viúvas Bernadette, ou Bernie, e Lila, protagonizadas por Rosemarie DeWitt e Imogen Poots respectivamente. Mulheres atormentadas devido às crises de casamentos vividas com aqueles homens, que iam de porco ao frígido.
O encontro desses personagens são bem compostas pelo diretor Jamie M. Dagg. Do relacionamento súbito entre Elwood e Rossi, da relação extraconjugal entre Rossi e Bernie e o contrato de Lila. Encontro que não pareceria estranho em uma cidade do interior do Alasca. O filme logo tem em sua composição um pouco das paisagens maravilhosas da região.
Entretanto, O noir está nesses locais fechados e em em seus reflexos no espelho, ou na perseguição de carro e o sinal vermelho do trilho piscando. Em sintonia há a trilha sonora, drones dominam as cenas, sua apresentação evoca o suspense de maneira clara e pontual. Logo, a direção maestra a trama de maneira a contar uma história agradável ao estilo neo-noir e que até vale o prestígio.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Crítica - Cold War

Cold War

Ano: 2018
Direção: Paweł Pawlikowski.
Roteiro: Paweł Pawlikowski.
Sinopse:
Durante a Guerra Fria entre a Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos completamente diferentes vivem um amor impossível.
Resenha:
Polônia, 1949. Na ferida do pós Segunda Guerra, Guerra Fria retrata além dos conflitos ideológicos da época, a história desses amantes o pianista Wiktor, Tomasz Kot, e a cantora Zula, Joanna Kulig. Pawel Pawlikowski, o diretor polonês, conduz a história desse amor não permitido pelo tempo, com um enquadramento de janela clássica de tv, quadrada, e a música - que os personagens trazem em sua história.
Wiktor junto com uma Companhia procuram cantores e dançarinos no interior da Polônia.  O interior desse país é composto de música. Pessoas se candidatavam para a Mazurka. O objetivo era criar uma peça que evocasse o tradição e o folclore. Zula viria a ser aprovada posteriormente na seleção.
A tela clássica enaltece a profundidade de campo,o espaço sempre parece estar povoado. Zula e Wiktor se apaixonam. A música se apresenta timidamente, as canções de Zula tem um significado emocional importante para a personagem. Significados que podem ser corrompidos, como a apresentação pró Stalin ou quanto como numa noite com amante.

Esse é o contexto ao qual os personagens vivem - um caso de liberdade subordinada. Se não obedecessem eles não viveriam. Zula e Wiktor parecem demonstrar a dor da distância ao qual são submetidos por essa Guerra. Infelizmente, esta dor é percebida tarde demais pelo pianista. “Cold War” se visto como um romance daria uma ótima obra shakespiriana,

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Crítica - Roma

Roma
Ano: 2018
Diretor: Alfonso Cuáron
Roteiro: Alfonso Cuáron
Sinopse:
A história retrata a vida de Cleo (Yalitza Aparicio), empregada doméstica de uma família de um bairro de classe média da Cidade do México chamado Roma. Em uma declaração de amor às mulheres que o criaram, Cuarón se inspira na própria infância para traçar um retrato vívido e comovente dos conflitos domésticos e da hierarquia social durante as turbulências políticas dos anos 70.
Resenha:
Cleo uma empregada doméstica de um país em decadência. Não apenas pelo cenário, mas também em seus símbolos. Dentro dessa realidade compartilhada com a mãe abandonada pelo heroico Marido são apresentadas essas Mulheres que vão além da realidade da infância vivida por Cuáron naquele bairro. Roma, é um filme que traz essa sensibilidade para a imagem.
Seu tom é em preto e branco, sua câmera beira entre o estático e aos leves movimentos. Estética assumida por sua história estar contida nos detalhes. Sua composição se amplifica com o som que acompanha a câmera. Por exemplo, Na cena de apresentação do pai ouve-se uma sinfonia fantástica, enquanto entra na garagem apertada com seu Galaxy, todo o cuidado com o carro, ele fuma compulsivamente, a família o aguarda na porta excitadas por sua chegada. A garagem está cheia de merda de cachorro, o carro vai sendo direcionado cuidadosamente até que o pneu esmaga uma dessas bostas. Assim, se resume a figura que o pai viria a ser.
No entanto, há algo a mais, está em Cleo. A atriz Yalitza Aparicio nunca havia atuado em gravação, sua timidez quase parece ser resultado desse primeiro contato. Seria. “No importa lo que te digan, siempre estamos solas.” – diz a Mãe Sofia, protagonizada por Marina de Tavira, para Cleo tempos depois de ter sido abandonada pelo marido. Seria, mas Cleo, Yalitza, Sofia, Marina estão ali representando suas vidas como mulheres diante de uma sociedade impostas por políticas como de Echeverria – “Un Solo Hombre”.
Roma, está dentro desses parâmetros, do planejamento elevado ao detalhe da imagem e do som. As informações de Echeverria estão na imagem. Cuáron revive uma história na Cidade do México da déc. de 70, da influência do dólar, do estado de emergência, e de sua periferia. Contudo, evoca emoção na maneira como ele conduz suas mães, Cleo e Sofia, que apesar dos pesares estão ali sobrevivendo por ele.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Eu não vou buscar a felicidade em mais ninguém

A dor... É a dor... Coisa estranha de senti-la, seu corpo vinha a mim como um tsunami. ME TRAGAVA em mil corpos, embebido do puro prazer. Mas, ainda assim..., havia algo. Faltava algo. Não estava ali em satisfação plena, afinal.