Título: O que Don L tem feito por mim.
Um breve relato do meu final de semana e de como o álbum Roteiro para Aïnouz e algumas músicas de Don L tem influenciado nas minhas decisões.
I
Logo que a vi na fila tremi. Porque guardei os fones? Don L me acalma. Solto a bolsa de mão no chão, abro a mochila, puxo o fone, ele está todo enrolado. Me atrapalho, não quero vê-la antes da música tocar - nos olhamos por um momento. Um leve ‘olá’ com as mãos. Nesta colisão, tento manter a postura e ponho os fones e solto a primeira música da track, “Eu não te amo” - irônico não? A batida vibra nos meus ouvidos, meus pensamento se desmancham e reproduzo as letras. “Porque eu andei por aí / Colecionando cicatriz / Transformando em pedras / Que ergui numa muralha / Entre o meu coração”. No entanto, não consigo agir naturalmente, meu corpo está abalado, todo o cansaço da semana se soma ao tremor, incontrolável, logo pego a comida, logo como, logo queimo minha boca. Bebo com todo ardor. Meu corpo me violenta, track 03 - “Aquela Fé”. “Ei, eu / Dez anos atrás / Eu tenho saudade / Será que eu consigo lembrar? / Daquela fé / No fundo dos olhos de um velho eu / Um jovem sonhador.” Um passado ingênuo, uma lágrima, outra... Termino a bebida. Se contenham! É o meu desejo, mas não minha vontade. Não é temor, raiva ou algo vingativo é um vazio. Um espaço nenhum de uma vida passada. Levanto, saio, enquanto Don L toca minhas memórias. Sensibilidade ou memória são um cu.
Quando ela quis desistir do curso? Quando havia o princípio de Síndrome do Pânico? E, as noites de atenção poucas horas antes de ir para o trabalho? Lembranças, agradáveis, mas dolorosas quando visto o motivo do término. Sinto-me em frenesi, track 08 - “Se num for demais”. “Ok, aqui estou de novo / Comprei uma dose de gin / Deixei meu amor e o troco / Faz favor / Conta as moeda sozin' / Se não for demais é pouco / Num sei se a morte é o fim / Mas sei que a noite é dos loko / Tá bom pra você assim? / Eu quero viver.” Retorno aos meus planos e recordo que hoje é o aniversário da minha irmã, o compromisso que havia furou com ela então a chamo para um “Slow Jam”. “Gata vem comigo chapar / Mas só a conta / Vem tomar um drink no bar / Por minha conta / Vem dançar uma slow jam / … / Num vai dizer que não vem.” Vejo um sorriso e, apesar do abismo, vamos curtir aquela noite. Entre risos, conversas, desabafos, álcool, música e dança. Então, Ela surge, súbito, e num comentário que ouvimos rimos, num movimento plástico ela me seduz. Pronto, “Chapei” naquela mina. “Baby girl, eu chapo em você / Baby girl, eu chapo em você / Baby girl, eu chapo ein! eu chapei! / Eu chapo, ein! Eu chapei! / Eu chapo, ein! Eu chapei!”. Decidido em dar um reset em minha vida, tenho a convicção de não deixar mais meus desejos reprimidos. Decido então tentar, pelo menos levar comigo seu número e independente do resultado ter comigo essa lembrança.
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