Ano: 2018
Diretor: John Krasinski
Roteiro: John Krasinski, Scott Beck, Bryan Woods.
Sinopse:
Em uma fazenda nos Estados Unidos, uma família do Meio-Oeste é perseguida por uma entidade fantasmagórica assustadora. Para se protegerem, eles devem permanecer em silêncio absoluto, a qualquer custo, pois o perigo é ativado pela percepção do som.
Resenha:
Um lugar silencioso é o que todos nós buscamos em algum momento de nossas vidas. O filme nos apresenta esse lugar como uma constante e sob esse domínio uma família deve respeitá-lo para sobreviver. Esta ausência sonora inexiste no ambiente, ela está nos humanos e nos temores que qualquer barulho causado por eles pode acarretar.
Nesse preceito, a relação familiar poderia ser comprometida pela incomunicabilidade sonora, no entanto, suas complicações estão ligadas a impossibilidade de demonstrarem suas emoções. A mãe protetora, o pai sobrevivente, o filho temeroso e a filha surda compartilham do trauma da perda no início do filme - todos se sentem culpados. Logo, atos substanciais como o grito, o choro e a fala são reprimidos.
Se não há som, então há sinais e luz. Devido ao fato de possuírem uma filha surda a família se adapta a linguagem de sinais como única solução comunicativa. No entanto, há ainda sinais internos quanto a iluminação, por exemplo. Iluminação esta que se altera entre os atos do filme - inicialmente assume um aspecto que retoma uma pintura em natureza-morta, e posteriormente assume um tom avermelhado como um sinal de alerta ou perigo eminente.
Neste contexto, a criatura torna-se onipresente, todo ruído é um motivo de tensão. Aí o filme se revela surpreendente. Ao suprimir o som ele exalta os ruídos do ambiente, dos gestos, e as explosões das palavras, do grito e dos acidentes. Os poucos diálogos são preenchidos pela trilha sonora que emotivamente acompanha a pulsação dos batimentos cardíacos. E, apesar de desconhecermos a origem da criatura, ficamos absortos ao perigo que aquela família está envolvida.
Um filme como produto audiovisual tem o som como componente fundamental na obra. John Krasinski subverte a experiência cinematográfica ao tornar vazio esse componente e ao mesmo tempo nos mostra que seu vazio é presente. Um lugar silencioso transporta a responsabilidade, além da tela, para a sala de Cinema, a experiência como espectador se amplia e, assim, somos imersos a realidade fílmica. Não, por acaso, que nos vimos tenso e abraçados a agonia dos personagens. Um lugar silencioso é um filme que cumpre com a proposta do gênero de suspense/terror.
Nenhum comentário:
Postar um comentário