sexta-feira, 9 de março de 2018

Crítica - The Florida Project



The Florida Project

Ano: 2017

Diretor: Sean Baker

Roteiro: Sean Baker, Chris Bergoch
Sinopse: Moonee, uma agitada garotinha, faz novas amizades nas redondezas dos parques Disney. Ela vive com a mãe em uma hospedagem de beira de estrada e as duas contam com a proteção do gerente Bobby na batalha diária pela sobrevivência.
Futureland é a primeira referência geográfica que temos do filme. Futureland não é apenas um Hotel a beira de estrada, seu nome é um símbolo, assim como Magic Castle, o hotel em que a protagonista Moonee vive, também é. A Flórida aqui destacada é oposta a opulência frequentemente divulgada na mídia. Sean Baker há de tratar da periferia - há de tratar duma sociedade marginalizada.
Utilizando-se de uma filmagem quase que documental, ele explora o filme como uma criança. Observando o mundo a partir dela - tanto na angulação, como na movimentação. Um Ozu hiperativo predomina, um sutil contra-plongée em perpétuo movimento. Nessa predominância seus planos ganham significado, pois, ao alternar para uma grande angular, ou para um plano fixo ela assume uma nova representação. E, ao ver o Magic Castle, ou a árvore despencada que continua a crescer, a realidade das imagens gritam ao espectador.
Nesta perspectiva infantilizada, vê-se o mundo de Moonee. Invadindo estes personagens marginalizados  - uma mãe imatura, um gerente preocupado, e crianças, cria-se um véu, que se não analisado ou questionado seria um filme inocente. Um destaque são as mães, que ao ser abandonadas com os filhos devem sobreviver, obrigando-se a uma jornada dupla - trabalho e casa, e sem tempo para dar a devida atenção às crianças. Os pequenos vagueiam denotando o abandono, os anseios e a preocupação delas.
No entanto, esta forma de representar o mundo, inicialmente, engana. Atos são banalizados por mais violentos ou irresponsáveis que sejam. Algumas cenas expressas são deslocadas e sem sentido. Mas, o diretor/editor Sean Baker faz propositalmente. Ele circunscreve significados. Utilizando sutilezas de montagem, detalhes nas cenas ou nos diálogos.
Como, por exemplo, ele demonstra: uma cena de uma criança tomando banho ao som de hip hop. A criança nos rouba atenção - crédito para Brooklynn Prince, colocando-nos em dúvida quanto a sua representação no momento. Usando este momento repetidas vezes, ele incuti dúvida. Ao chegar nesse ponto, há um plot e tudo se esclarece. Logo, ocorre uma virada emocional que surpreende o espectador.
Um filme carregado pelo protagonismo da Atriz mirim, pela montagem e direção de Sean Baker, e pelo contexto que os personagens estão submetidos.  Devido a atmosfera precoce dessa menina a comédia com seus palavrões ou gestos obscenos é de uma comicidade enganosa. Edificando a trama nesses fatores ele cria sutilezas cruéis, dramáticas. Moonee emociona em todos os níveis - do riso às lágrimas. E, toda a irresponsabilidade da mãe é compreendida, perdoável até, tudo por causa do amor que ela demonstra pela filha.

Um comentário:

  1. A que bacana Nelson! Parabéns pelo texto, que venham muitos textos, análises, resenhas para só amadurecer cada vez mais sua escrita que já promete num olhar sensível e atento !!!

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