sábado, 17 de março de 2018

Crítica - 2046

2046 - Os Segredos do Amor
Ano: 2004
Diretor: Wong Kar Wai
Roteiro: Wong Kar Wai
Sinopse: Hospedado em um hotel em Hong Kong, o jornalista Mo Wan Chow escreve um livro de ficção científica sobre o futuro enquanto recorda seus relacionamentos do passado e se envolve com suas vizinhas de quarto.
Logo no início do filme Kar-Wai Wong sugere uma sintonia entre som e imagem. Os créditos iniciais surgem com a música lentamente, e ao saltarem de um nome para outro a música também acompanha em intensidade. 2046 é um quebra-cabeça narrativo, pois no relato do jornalista Chow Mo-wan há um entrelaçar entre passado, presente e futuro.
Uma confusão temporal proposital que se expressa no tom da imagem - o verde. Um brilho esmaecido que insinua lembranças - como fotografias desbotadas. E, no relato do Jornalista que escreve uma ficção no tempo futuro sobre um trem que leva pessoas para 2046, um lugar onde todos vão para reviver o passado. Reflexões se sobrepõem aos segredos do tempo e do amor, na atemporalidade dos sentidos está o fio de Ariadne.
No entanto, na razão do tempo o presente é um segredo a ser desvelado quando este vier a ser passado. Nas suas relações com suas amantes ele incorpora suas experiências a ficção e denota seu amadurecimento. Nesse ponto, há uma cor que se sobressai - o vermelho. Esse tom é violento para os olhos, a cor por si denuncia as sensações dos personagens. O que antes o verde significava, o vermelho denota vida. Viver é sentir.
“Quando a Peônia floresce, ela se ergue e morre sem dar uma resposta”

No silêncio da Peônia está o sentido do filme. Apesar do amor que uma vez vivenciou ele declara sua solidão No trem que vai para 2046, amor que muitas vezes vivenciou, ele reconhece sua condição - não há como abdicar de si. A montagem do filme se justifica, o amor é confuso. Wong Kar-wai faz da película sua obra mais madura. Seja na ficção 2046, seja no quarto nº 2046, Chow Mo-wan é o diretor. E, ao personagem expressar-se em primeira pessoa, ele coloca o espectador em seu lugar. Logo, em seus devaneios refletimos e nos sentimentos que nós evocamos é sabido que também faz parte dele.

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