O Conto da Aia
Ano: 1985
Autora: Margaret Atwood
Sinopse:
Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gilead, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Aias, são obrigadas a conceber filhos a elite estéril.
Resenha:
Um estado criado a partir do ódio e repúdio às diferenças. Tradicionalmente religiosa, a regência da sociedade encontra-se nas mãos dos Homens. A História lhes retoma o status de Humanidade. Condenada a este Estado a protagonista retrata não apenas a Teocracia de Gilead, mas também a Democracia dos Estados Unidos da América.
No universo do livro, Offred é uma relatora de uma “distopia”. Sendo fértil ela tem por obrigação garantir filhos ao Comandante Fred e sua esposa Serena Joy. Submissas, independente de sua posição, as mulheres servem ao Homem em respeito aos valores religiosos. Sob uma doutrinação fascista, e o medo dos Olhos, suas vozes silenciam-se.
Atwood revela na natureza das relações humanas uma microfísica do poder. Nos gestos, aparentemente inocentes, de condolência masculina ou de sujeição feminina está a base que fundamenta a sociedade de Gilead. Na aceitação dos preconceitos e estereótipos de uma sociedade cordialmente machista está a permissão das figuras públicas.
No entanto, o silêncio implica no consentimento. O Conto da Aia é um livro angustiante, pois ao demonstrar nas lembranças de Offred um simulacro pertinente a nossa realidade temos uma protagonista que remete as nossas fraquezas - independente de sexo ou gênero. Ao refletir sobre sua Mãe, sobre Moira, e todos os outros símbolos de resistência retomo uma sentença do doc. “She’s Beautiful When Shes Angry”:
“A lição amarga é que nenhuma vitória é permanente. Todos os nossos direitos são assim. Eles são tão bons quanto como os mantivermos.”
A influência que alguns políticos exercem no Brasileiro é temerosa. Devido a fatores como a aceitação dos discursos de intolerância se originou o Estado de Gilead. O livro ‘O Conto da Aia’ possui uma relevância por demonstrar a fragilidade dos direitos humanos.