sábado, 24 de fevereiro de 2018

Resenha Literária - Casa de Bonecas


Resenha Literária
Casa de Bonecas
Autor: Enrik Ibsen

Sinopse:
“Casa de Bonecas é uma peça teatral escrita em 1878 e lançada em 1879, sendo apresentada pela primeira vez no “Det Kongelige Teater” em Copenhage. É um drama em três atos, em que Ibsen questiona as convenções sociais do casamento. A tragédia retrata a hipocrisia e convencionalismos da sociedade do final do séc. XIX. Na época, mediante as tentativas de emancipação feminina, foi uma peça revolucionária, com grande repercussão entre feministas, a Europa inteira discutiu. Com essa peça, os críticos acreditam que Ibsen abriu caminho para a tragédia, devido a solução trágica tomada pelo autor da história.”
Resenha:
Uma mulher perseguida pelos erros do passado, sacrifícios que cometeu por amor ao Marido. E, logo não compreendemos sua motivação. Pois, somos invadidos pela dissimulação e hipocrisia de sua relação. Toda a trama se constrói num único cômodo e uma sala de estar burguesa nunca foi tão profanada. Assim, vos apresento Casa de Bonecas de Henrik Ibsen.
Helmer: “Nora, Nora! Só podia ser mulher...” – Ibsen nos põe em contato com pessoas detestáveis. Mas, como poderíamos estimar a protagonista se elas não existissem? Sensações de asco e revolta são despertadas nas primeira páginas e nos acompanham até o fim. Sr. Torvald Helmer, seu marido, incorpora todo convencionalismo da época, zela pela família, ou por sua honra. Primeiramente, sua honra – que não está além das aparências.
Das personagens, abstenção de si em prol da família é o que caracteriza as mulheres na obra. Kristina, a viúva, trabalha para cuidar dos irmãos e da mãe, a Babá para dar condições melhores a filha, e Nora para satisfazer seus filhos e marido. Entretanto, ao se doarem para outrem elas esquecem de si - como se a vida delas fossem restritas a familía.  Elas inexistem na sociedade, pois, sendo aias, logo tornam-se bonecas.
No entanto, o autor se surpreende, até então esta história parece nos levar a crer numa tragédia grega. Mas, Nora sendo antônimo de Liv Ullmann em “Quando duas mulheres pecam”, ela não se cala ao perceber sua posição. Ainda mais além, Ibsen antecipa Camus em “O Homem Revoltado”, sendo mais revolucionário com “A Mulher Revoltada.”. É possível ouvir Nora na frase camusiana: “Revolto-me, logo existo”, destarte, origina-se Nora e não a boneca de Torvald.

Portanto, Casa de Bonecas como leitura foi elementar para sua época, e, lamentavelmente, para nossa. Mas, o fato de ser anacrônica só reforça que nenhum vitória é permanente. Os direitos uma vez conquistados só são bons uma vez que os mantivermos. Ibsen como artista funda uma obra além do tempo, uma obra que se recomenda a todo momento.

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