Ano: 2006
Diretor: Karim Aïnouz
Roteiro: Karim Aïnouz, Felipe Bragança e Maurício Zacharias
Sinopse:
Dois anos atrás, Hermila partiu. A experiência em São Paulo foi boa, mas a cidade era cara demais. Agora ela está de volta a Iguatu, no sertão cearense. A casa da avó, Zezita, e da tia, Maria, é acolhedora e confortável. Mas não demora muito e Hermila se dá conta de que precisa ir embora dali outra vez. Inspirada nas conversas com a amiga Georgina, ela adota o nome de Suely e inventa um plano audacioso para levantar dinheiro e conseguir viajar.
Resenha:
Num saudosismo das imagens filmadas por uma Super 8 - as lembranças de um casal. Naquele domingo de manhã ela engravida, e ao relatar os detalhes daquele instante ela demonstra sua paixão. Corta para uma viagem de Ônibus, Hermila é apresentada, e ao chegar em seu destino com uma criança no colo há nesse plano a primeira representação da imponência do Céu - “AQUI COMEÇA IGUATU”.
Logo somos apresentados a sua Avó, Zezita, e sua Tia, Maria, que a recebem em casa na expectativa de Hermila da chegada de seu amor, Mateus. Na data anunciada ela vai até a parada, caminha até o ônibus e pergunta: “Todo mundo já desceu?”. Sim. Logo o mundo se vela, todo o foco de cena se concentra nela, Ainouz demonstra em sua face a solidão do abandono.
Na distância que os separam, nas ligações não atendidas, no comentário da mãe de Mateus ‘Meu filho só tem 20 anos, você sabe o que é isso?’ desponta os conflitos da protagonista. Na figura de Georgina retoma a esperança, há em Hermila a força em seu Alter Ego - Suely. Na figura da primeira ela vê a possibilidade de mudança, então decidi fazer uma rifa, o prêmio: Uma noite no Paraíso.
Em paralelo a um romance com João, seu amigo de infância, ela vivencia em uma cidade interiorana os burburinhos de uma ideologia colonial. Entre a perseguição implacável das Mulheres que a repudiam, entre o machismo repugnante ela rompe seu relacionamento e na fuga para um outro lugar está sua solução, mesmo que para isso tenha que deixar seu filho.
O céu de Suely é uma perspectiva hiper realista ditada por Aïnouz e reproduzida por sua abordagem cinematográfica. A fotografia improvisada, a trilha popular de Aviões de Forró mesclada com a canção “Tudo que eu tenho” de Diana, são características marcantes que se incorporam a personagem. E, tendo nomeado os personagens com o primeiro nome de cada Ator e Atriz ele intimiza a história, estamos além dos caricatos.
Ante a essa realidade que perpassa entre os planos abertos aos closes retornamos ao plano Aberto. Logo o horizonte dita uma fronteira do desconhecido, mas para Hermila ou Suely não há temor quando além dela está sua única saída.
“AQUI COMEÇA A SAUDADE DE IGUATU”